Gosto de frases feitas. Piadas de algibeira, pequenos conselhos, lemas, máximas, larachas, chavões, pregões, ditados e citações. Gosto especialmente dos pequenos conselhos, onde incluo lemas e máximas. Acho nobre - e, na mesma medida, impossível - a tentativa de encaixar numas poucas palavras todos os valores sobre os quais queremos reger a nossa existência ou abranger todas as situações possíveis num único conselho de vida. Embora saiba que mesmo a mais bem resumida sentença é sempre falível ou que todos os ditados e dizeres populares têm antídoto, gosto sempre de ler esses pequenos trechos com uma mensagem maior que as próprias palavras. Pode parecer ingénuo, mas gosto de ler essas frases nos momentos de menor esperança, pois é próprio do ser humano encontrar um sopro de alívio no encontro de experiências repetidas pelos outros. A malta, mais do que não querer estar na merda, não quer é estar nela sozinho. Apenas a unicidade do meu caso torna a merda verdadeira.
Enfim, mas sendo, agora, altura de bonança, queria transmitir ao apanascado leitor que costuma ocupar parte do meu pensamento a procura da verdadeira máxima, do único conselho.
Se no leito da morte, o leitor (vulgo Nordeste) apenas pudesse deixar uma frase orientadora ao seu descendente que, com as mãozinhas muito pequenas se empoleirava na beira da moribunda cama, e, com os seus pequenos olhos muito abertos o fitava, com amor e reverência, entregando no pai a esperança do mundo, quais seriam as palavras escolhidas para direccionar este petiz na difícil estrada da vida?
Ainda não descobri, nem aqui vou tentar fazê-lo. Mas deixo uma frase que, mais do que orientadora, será, pelo menos, apaziguadora.