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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Está tudo errado

Nada contra vestirem-se com o biquini mais curto. Nada contra postarem a selfie diária. O prato diário. O gato diário. Onde vão, com quem vão e quem são. Ou querem ser. Nada contra fazerem o que querem da vossa vida. Nada contra porem-se na montra. Quero apenas dizer, a quem não o faz, porque não pode ou não quer, que não se tente pelo resto. Nada contra quem se não mostra. Nada contra quem não conta. Aliás. Tudo a favor. Tudo a favor de quem tem pudor. De quem ainda se reserva. De quem espera. De quem a sua casa tem realmente segredos. E só os revela a quem vale a pena, não se deixando levar pela oferta eficaz e fugaz da comparação barata do post ao lado, num scroll frenético em que as pessoas se meteram em que até os apelos à medula se banalizaram. Mil vezes quem nunca vi. Mil vezes quem não conheço de cor os cantos. Esta vai para toda a gente que se mantém à margem. Principalmente, porque o post é meu, para o público feminino que se reserva. Ninguém vos diz, mas todos vos querem. Persistam. Acreditem no que vos digo. Façam-se valer a pena. Vai valer a pena. 

Se estás à procura do botão do like, põe-te nas p*****. Isto não é o instagram.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Apenas para memória futura.

Deixo aqui o texto que, até agora, tinha apenas no meu facebook. Transcrevo-o, para que fique arquivado.

Um queijo a todos.

"Caro Ladrão (que não tens outro nome),
Fica sabendo que hoje apresentei queixa pelo iPad Mini e pela pulseira que roubaste de minha casa em Agosto, na festa que lá dei para amigos. Podes estar descansado que a queixa apenas é feita porque me convém em termos burocráticos, já que tenho perfeita noção de que cá em baixo não te apanho, pois não sei quem és (a queixa vai contra incertos). Mas torno isto público porque se cá em baixo não te apanho, sei que ao menos na tua consciência, a qual é auditada por Ele mesmo, serás julgado. E condenado. Devo-te lembrar que, para agravar, a festa era no jardim e eu avisei que a casa estava fechada. Ainda assim entraste. Pela cozinha entreaberta. Como os ratos fazem. E as tuas mãos farejaram para além do que a vista via, manipulando manetas de portas fechadas e entrando no quarto dos meus pais, para aí sim, furtares o iPad e a pulseira. Porque há diferença entre levares uma coisa que está à vista e procurares deliberadamente por alguma coisa que possas levar. Tu não tens a sede dos oportunistas, mas a fome dos reles. A tua alma não é corrompível, está corrompida. Como ousas, filho de puta, entrar no quarto dos meus pais? Esse templo onde os Machadinhos são concebidos e onde não és digno do ar que respiras, sequer. És lixo. Mas não julgues ser daqueles sacos pretos bonitinhos com a fitinha amarela para dar o nó e que a empregada deixa na escada para o porteiro recolher. És o lixo que fica quando os rafeiros se fartam de o escavacar. És o que os cães despojam. És fraco, és merdoso, és rasca, frouxo, chocho e coxo. Como diria o Almada, nem cigano és, és meio cigano. És o último a ser escolhido no recreio, és o bairro castanho do monopólio, és vodka rasca com cheiro a amêndoa, és a fava do bolo rei, és feio e esse cheiro não sai. Desejo-te todos os pequenos males e azares que a vida possa reservar para uma pessoa. Quero-te com cieiro, aftas e pé de atleta até ao fim da vida. Quero que te caia um piano em cima e que o coiote te apanhe e leve o seu tempo a escalpar-te. Quero que o empregado se demore a trazer-te a manteiga, que sejas o último na fila das Finanças e o primeiro na fila para a câmara de gás. Quero que todos os sinais fiquem encarnados para ti, que caia chuva quando pões um fato novo, que o elevador se avarie, que não saibas duma meia, que te engasgues quando “ela” te vier falar e que a tua mãe torre a herança no tratamento dos joanetes ao ponto de te deixar não mais do que uma dívida de 10€ no café do Sr. Antunes. Desejo-te não o inferno, mas o purgatório para sempre. Mereces uma eternidade na angústia dos que esperam e não a certeza infeliz dos que reprovaram. Esses, ao menos, podem pensar em redimir-se. Tu nunca vais saber a diferença, meu merdoso. Faz bom proveito disso. E não te esqueças que eu bem sei que entre roubar um iPad (que podes usar) e roubar uma pulseira de senhora (que vais vender), vai um grande salto. És mesmo um ladrão nojento, do mais baixo que existe. Pobre o teu espírito que se deixa levar por uma coisa destas. Porque não é o iPad e a pulseira que me chateiam. Mas o facto de ter tido um réptil em minha casa e, pior, no quarto da minha mãe. O que me custou não foi ficar sem dois objectos, mas antes saber pelo meu pai que a minha mãe mal dormiu nesse dia, angustiada pelo facto de ter tido um servente do mal no sítio que é o mais seu. Isso foi o que me roubaste merdoso. Por isso se quiseres levar mais alguma coisa cá de casa, não entres. Pede, que eu levo-te lá fora ao portão.

Nota: sei que já passou algum tempo, mas se alguém souber quem o fez, cuspam-lhe com os olhos e digam-lhe que, a meu ver claro, este gajo é um merdoso."

terça-feira, 19 de maio de 2015

Coitadinha

Diz o Correio da Manhã que Cláudia Vieira "deslumbra em Cannes".

E depois vemos as fotografias.

Esta dá-me vontade de rir.




segunda-feira, 18 de maio de 2015

Keep it simple


Percorrendo o meu facebook, começo a ver aparecerem algumas fotografias de amigas de biquíni. Peço desculpa, de fato de banho. Quer dizer, de triquíni. Sinceramente, não faço ideia o que aquilo é. As miúdas perderam a cabeça. Há tangas gigantes que vão até aos ombros, partes de cima do biquíni com trinta e sete mil fios para se entrelaçarem uns nos outros quando o resultado final, não nos esqueçamos, é simplesmente dar um nó naquilo.

Adoro as Cantês, as Fio-Rosa, as Papua e mais não sei quantas da vida, pelos catálogos que nos dão, mas odeio-as pelo festival a que nos sujeitam cada vez que vamos à praia.

Onde é que estão os típicos três triângulos de que tanto gostamos? Uma miúda com um biquíni Cantê é como uma miúda com demasiada maquilhagem. Às vezes fica bem, mas não se esqueçam, minha gente, que, no final do dia, nós gostamos é de vocês simples.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Petição chumbada


Já passou algum tempo desde que Simba, o leão da Rodésia, emigrado para Idanha-a-Nova, comeu chumbo em quantidade suficiente para não ficar para contar. Gosto de animais, gosto de leões da Rodésia. Tenho um cão e adoro o meu cão. Mas não assinei a petição. E mais, condeno ligeiramente quem o fez. E tenho vários amigos que não se fizeram rogados na hora de emprestar o nome a esta “causa”.

Primeiro, não percebo a utilidade de uma petição neste caso. Relembro que a petição, que está muito mal feita e explicada, refere o seguinte: "Pressionar para: que se faça Justiça; Sensibilizar as entidades competentes; Mobilização Nacional; Apelar à indignação”. Por um lado querem que se faça justiça, mas ou há responsabilidade (seja civil ou criminal) ou não há. Se houver, que se aja, se não houver, não será uma petição que fará o que a lei não pune. Por outro lado não há, verdadeiramente, um caminho definido para atingir os vagos fins a que se propõem. Não há um princípio, um meio e um fim. Mas as pessoas assinam. E fazem-no em barda. Dá-me genuína vontade de rir quando leio “Apelar à indignação”. Basta apelarmos a que as pessoas se indignem, para termos mais de 70 mil macacos a subscrever um papel. Genial.

Ainda assim, o que mais me causa impressão, na facilidade com que milhares de pessoas assinam uma petição, prende-se com o facto de ninguém ter procurado saber o que realmente se passou. Um cão morto à chumbada é razão suficiente para assinar uma petição, mas um cão morto à chumbada não é razão suficiente para as pessoas se perguntarem simplesmente: Porque é que foi um cão morto à chumbada?.  As pessoas confundem o resultado com o fundamento. Esta petição não visa acabar com a mania instalada em Portugal de matar cães à chumbada. E não visa porque essa mania não existe. Felizmente, não há cães a provar desnecessariamente chumbo letal todos os dias. Matar cães à chumbada não é um hobby generalizado cujo fundamento, e consequente resultado, se repugnam. Isto não é como as touradas que podem e devem (para quem as quer erradicar – eu, pessoalmente, sou a favor das touradas) ser combatidas, entre outras armas, com petições.

Se este cão foi atingido mortalmente, por alguma razão o foi. É essa razão que cumpre apurar, pois só aí poderemos condenar ou desculpar a acção de quem matou. Essa razão ninguém a quis procurar. A ninguém interessou. É curioso ver que em notícia alguma, incluindo vídeo, se vê o dono a dizer que o cão não fez nada que merecesse a chumbada. Ouve-se o dono dizer que o cão era meigo e bem treinado, mas já não que aquela chumbada em concreto não foi precedida de nenhuma acção do seu cão que pudesse merecer uma chumbada.

Não esquecer que falamos de um leão da Rodésia, raça capaz de comer uma ovelha antes do jantar.

Eu não sei o que se passou. Mas algo se passou.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Gone 4,5€

Este Domingo dormi. Dormi dez horas na cama e algumas dez sestas no sofá. Chegada a noite, não dormi. Eram 01:45h e alugo um filme: “Gone Girl”.

Tinha ouvido falar bem e tem 8.2 no IMDB - o que é uma nota muito alta, tendo em conta a escala de 1 a 10 e a quantidade de votos (mais de 330.000).

É um filme que tem tudo para ser bom, pois o argumento é bastante original, mas, no final de contas, não é bom.

Em primeiro lugar, não posso deixar de referir a sublime entrega de Ben Affleck para interpretar este papel, onde teve de retirar toda a rede nervosa do seu corpo, bem como de se submeter a um tratamento cerebral, à base de choques eléctricos, os quais interrompem todas as ligações do cérebro encarregues da manifestação de sensações, de maneira a que nem uma só emoção nos pudesse ser transmitida ao longo das mais de duas horas de filme. Vejamos:

Ben Affleck aparece na primeira cena, no bar da irmã, desanimado, porque o seu casamento está em crise.

Ben Affleck chega a casa e depara-se com um cenário de rapto da mulher, o que não lhe muda o semblante.

Dá-se um flashback para o momento em que Ben Affleck conhece a mulher pela primeira vez. Pela expressão de Ben Affleck, só podemos concluir que ele viaja no tempo, pois é o mesmo impávido Ben Affleck que aparece nos idos tempos do ardente início de uma paixão.

Volta-se ao presente, confirma-se o rapto e Ben Affleck continua a beber chá e a comer biscoitos.

Mais, Ben Affleck apercebe-se que a mulher o pode estar a tentar incriminar ao simular o seu próprio rapto/homicídio e a ataraxia mantém-se.

Ben Affleck aside, o que mais me intriga nem é o mesmo ser viciado em Ritalina, mas sim um punhado de pormenores inverosímeis que tornam a história, numa fraca história. Para além de uma estranha falta de pânico entre Ben Affleck, a irmã e os pais da raptada, há uma série de perguntas para as quais não tenho resposta.

Se o plano de Amy seria suicidar-se para que, com o surgimento de um cadáver, não houvesse dúvidas de que o marido a matou, porque não o fez logo? Porque ficou transtornada quando lhe roubaram todo o dinheiro naquele motel? Porque teve de ligar ao ex-namorado? Se o plano era matar-se, a falta de dinheiro não me parece um problema. E relativamente ao namorado, acho frágil a razão pela qual ele alinhou na história de não contar nada à polícia. Mas enfim, deixo passar essa.

Ela lá volta a casa, e Ben Affleck, a quem a anestesia geral ainda não passou, sabendo que estava casado com uma psicopata, aceita enfiar-se no banho com ela. Diz que vai sair de casa, ao que ela responde que não deixa porque se ele o fizer o destrói em praça pública. E é aqui que tudo desaba irremediavelmente. 

Pois claro, é mesmo o que me preocupa quando estou casado com o Chucky, que me tentou incriminar da própria morte, pelo caminho matou uma pessoa e, vim a saber, já tinha destruído a vida a um outro namorado. Claro que, neste caso, a minha maior preocupação é o que a opinião pública vai pensar de mim. Antes dormir na mesma casa que uma tarada maníaca homicida, do que ter o Cláudio Ramos a dar-me nota negativa nos “Assuntos da Semana” da revista Caras.

Passadas cinco semanas, ela fica grávida. O que seria a tal razão verosímil para Ben Affleck não se ir embora, acontece cinco semanas depois. Nessas cinco semanas, as quais fazem tanto sentido no filme como respeitar o zigue-zague duma fila de check-in do aeroporto quando somos os únicos no guichet, a interacção entre o casal é absurda.

Ela acorda de manhã a fazer-lhe panquecas, ao que ele, simplesmente, aceita. Ela apanha-o, noutra vez, acordado a meio da noite, a olhar pela porta da rua. Pede para ele ir para a sua cama e oferece-se para lhe aconchegar os lençóis. Ele acede. Já deitadinho na cama, o pequeno Ben diz que ainda não se sente à vontade para dormir com a mulher e esboça um esforçado sorriso. "I need more time!". I need more time? Para quê? Para restabelecer a confiança na mulher que o tentou incriminar, que matou outra pessoa e que destruíu uma terceira? 'O tempo cura tudo' não é uma expressão absoluta, Ben. Há merdas que o tempo não cura. Como por exemplo o Holocausto, a bomba atómica, o engano do Humberto Bernardo e a nossa própria mulher simular o seu rapto/homícido para nos incriminar. Ou disseste aquilo para despachar a patroa porque te deu o sono? Qualquer uma delas não faz sentido.

Vale-nos uma Emily Ratajkowski, que entra no filme não como actriz, mas como modelo. Serve, também, este filme, para confirmarmos que Emily Ratajkowski é podre de boa, mas não é bonita.

Nisto, gastei 4,5€. Acho caro. Especialmente para umas mamas que vejo todos os dias na internet.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

All rise!


Confrontado com algumas queixas de que os homens salpicam o chão quando fazem o n.º 1, viu-se um tribunal alemão obrigado a pronunciar-se sobre esta complexa questão. A sentença escreveu que mijar em pé (desculpem mas não tem outro nome) é um direito que assiste aos homens.


Agora reparem que a notícia diz que há casas de banho na Alemanha onde já é proibido despejar em pé. Mas o que é isto?! Onde é que esta malta quer chegar? Para onde caminhamos?

É isto obra dos movimentos feministas com inveja dos homens que passam pelas inevitavelmente intermináveis filas das mulheres para os WC nas discotecas e noutros eventos? É isso?

Falando sério, eu percebo que se queira, e se deva, pugnar por um paralelismo entre homens e mulheres, mas isto é caminhar para a convergência.

E desculpem-me, mas eu não quero estar cá quando os pontos convergirem.

A decisão do tribunal alemão é uma má decisão. Errada. 180 graus ao lado. Mijar em pé não é um direito dos homens, é um dever.




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Obrigadinho!


Há uma coisa que não percebo.

Todos os animais têm alguma coisa que os ajude naquilo que precisam. Os leões precisam de caçar, o Senhor deu-lhes dentes, garras e camuflagem. Deu menos tamanho às chitas, porém mais velocidade. Deu visão às águias, veneno às cobras. Sem mais veneno na hora de fazer as jibóias, encheu-as de músculo. E por aí em diante.

Mais abaixo na cadeia alimentar, os caçados também têm com que se defender.  O elefante tem tamanho, tal como a girafa. E ao elefante ainda lhe deram dentes, não vá um leão mais tarado querer atacá-lo. O gnu tem cornos, o rinoceronte, chifres. Até a merda das springboks têm uns corninhos amorosos que sempre podem ajudar para qualquer coisa.

Parece tudo fazer sentido num equilíbrio que é necessário.

Sucede que chegamos a um animal em que apenas podemos concluir que Ele fuma charros. Que bicho é esse? A zebra.

Sim. É suposto a Zebra fazer exactamente o quê com aquilo que lhe deram?

Não é especialmente rápida, não é especialmente grande, nem forte, nem ágil. Cornos não tem, veneno não tem, dentes só mesmo para mastigar a relva. Um pobre cavalo coitado no meio de uma selva infestada de leões, crocodilos, hienas, chitas, leopardos.

Mas o que me faz mais impressão nem é isso tudo. O que me faz mais impressão é como a vestiram. Só dá para rir cada vez que imagino a zebra vestida às riscas pretas e brancas (às riscas!!) a tentar confundir-se no meio da bicharada. É o mesmo que a Paula Bobone tentar passar despercebida numa loja da Coronel Tapioca.  

Imagino a reacção da zebra quando fizeram a distribuição dos outfits. Incrédula, dois minutos de boca aberta, a olhar para o que lhe deram. E mais ainda quando vê o resto do pessoal a equipar-se para a guerra. Olha para o lado, e um elefante a entrar numa pele grossíssima, a tartaruga com um escudo nos costados, o gnu a pôr os cornos e ela com um vestido da Mango.

Leio a Wikipedia na busca de um sentido para aquelas riscas disruptivas duma paisagem seca. Ninguém sabe bem. Várias teorias se perfilam. Pois bem, não me atirem areia para os olhos. Para mim, não passa de um momento de relaxe do Senhor - em milhões de anos, coitado, também tem direito. E provavelmente só não mandou a zebra vestida de Carmen Miranda cá para baixo, porque Nossa Senhora Lhe entrou pelo quarto adentro e pôs travões na brincadeira. Apeteceu-Lhe debochar na zebra. Só pode ser isso. É gozo, é brincadeira, é reinação do Criador.

Sim, a mim não me enganam. A zebra é puro escárnio divino.



                                         





 * a sério, não brinquem comigo!





quinta-feira, 31 de julho de 2014

Movimento popular anti-sócrates

Eu sei que são o BES e o Ricardo Salgado que estão na moda, mas nunca nos esqueçamos que o filho da puta do Sócrates é o filho da puta do Sócrates. Como tal, nunca é má altura para falar dele e dele nunca nos devemos esquecer não só de falar, mas de apontar, xingar, denunciar e acusar.

Dizem-me vocês: “Ah, mas ele nunca foi condenado.”, querendo, com isso, defender que eu não posso, em rigor, falar mal dele.

Não me interessa nem um bocado. Culpados não são aqueles que o aparelho judicial consegue apanhar. Esses são os condenados. Um culpado é sempre um culpado, com ou sem condenação. E que o Sócrates é culpado, não tenho a menor dúvida. É tão claro como o Paulo Pedroso ser pedófilo ou o Mantorras preto: Está na cara!

Mas o que me chateia é que este homem segue impune, pago pela televisão pública para gozar connosco. Pior!, pago pela televisão pública, para se defender! Agora é o caso “Monte Branco”. E o gajo (é mesmo assim!) continua no seu discurso de vítima ofendida, alegando estarem a montar uma cabala contra si e que se trata de pura difamação e de uma “canalhice”. Ainda estou a vê-lo proferir estas palavras, com as sobrancelhas franzidas pela fingida indignação. Revoltante!

Ando a dizer isto há algum tempo, não sendo possível apanhá-lo nas teias da justiça terrena, seja por falta de provas, seja por lóbis, criemos nós, simples cidadãos, alheios ao corrupto mikado político-empresarial deste país, o nosso próprio lóbi contra o Sócrates. Possivelmente poderemos estender este movimento a muitas outras personalidades, mas, por agora, foquemo-nos num filho da puta de cada vez. Nada melhor que começar pelo filho da puta dos filhos da puta, o filho da puta mor. O maior sem vergonha que passou em Portugal (Vale e Azevedo é um rapaz tímido ao pé de Sócrates).

O que proponho: Um movimento popular de criação de mau estar.

Não estou a falar em contratar capangas para lhe dar uma tareia, nem em processá-lo nos tribunais. Falo de coisas pequenas. Falo de lhe fazer a vida num pequeno inferno. Este gajo tem que se sentir mal em viver em Portugal. Se quis, e conseguiu, roubar, que ao menos se veja obrigado a pagar o preço da extradição forçadamente voluntária. Que viva, mas noutro país que não o seu. Que viva, mas sem ser descansado. O tormento na alma é a maior das penas. Intranquilizemos este filho da puta!

Como funciona: Há apenas regras gerais. Podemos fazer tudo para o chatear, até ao limite de ele nos poder pôr um processo e, com isso, ter a sua satisfação pessoal. Chateá-lo até ao limite do processo é o que proponho.

Por exemplo, alguém o vê num restaurante, no autocarro, na rua, numa festa, numa loja, na praia, onde for!, sugiro:

-    Atirar-lhe um copo de água para cima. Quem diz água, diz uma tarte, um café, cinco litros de mel, molho inglês, etc.
-    Parar à sua frente e, fitando-o e abanando a cabeça em tom de indignação, proferir, sem parar, apenas estas palavras: “Isto é uma vergonha! Isto é uma vergonha!”. Se quiserem usar da ironia, também é bem visto. Nesse caso sorrirão amarelamente e, batendo palmas, podem proferir: “Honestíssimo! Está aqui um homem honestíssimo pessoal. Venham ver!”.
-    Parar à sua frente e rir, como quem disfarça, apontando para ele e cochichando qualquer coisa para a pessoa ao lado, ao ponto de ele perceber que está a ser gozado, mas não entender o conteúdo do gozo. Isto deixa uma pessoa muito nervosa e muito desconfortável, o que é, afinal, tão-só o nosso propósito.
-    Passar ao lado dele e acusá-lo de cheirar mal. Tapar o nariz e abanar as mãos em frente a toda a gente e dizer “Eishh, que cheiro! O homem ‘tá podre!”. Esta é boa no elevador, pois não permite grandes dúvidas quanto à acusação.
-    Desrespeitar a distância socialmente aceitável, quando na sua presença.
-    Fazer sons de animais (bem alto!), quando na sua presença.
-    Arrotar.
-    Assobiar-lhe ao ouvido, de surpresa.
-    Pôr-lhe a mão à frente e dizer que o ar é de todos.

Enfim, são apenas algumas ideias. O regime é livre. O que interessa é que este palhaço não saia à rua descansado. Conto com a vossa imaginação para dizerem mais algumas maldades. Vamos encanitar o Sócrates!


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pensamento do dia

Uma coisa que me intriga há muito tempo: os balneários.

O balneário da minha equipa não me preocupa. Preocupa-me um balneário em particular, bem como, em geral para todos os balneários, me preocupa a teoria que subjaz à divisão dos balneários em mulheres/homens.

A divisão que a sociedade impôs, onde se conduzem mulheres para a direita e homens para a esquerda quando toca a hora de vestir, foi feita com base no género (critério) e fundamentada pelo facto de estes géneros opostos se atraírem (fundamento), pelo que se entendeu que, quando se abrem braguilhas, fecham-se portas.

Porque a atracção existe, o pudor, os bons costumes, a prevenção e a segurança terão sido as razões para levar a que esta decisão se efectivasse e se separassem os sexos opostos.

- O fundamento que conduz a esta separação é, portanto, a atracção entre homens e mulheres, logo, pode-se dizer que o fundamento é a orientação sexual das pessoas.

- Por seu lado, o critério, o qual resulta da aplicação do fundamento, é tão simplesmente, fazer a triagem entre quem é homem e quem é mulher.

No entanto, hoje em dia não se pode ignorar que também existe atracção dentro do mesmo sexo. Cada vez mais!

Então, fará ainda sentido continuar a separar as pessoas cegamente pelo órgão genital, quando o que sempre as separou era, na verdade, a sua orientação sexual?
Se o fundamento (orientação sexual) para a separação dos balneários se mantém, mas esse próprio fundamento aplicado de pessoa para pessoa é hoje diferente, não será necessário actualizar o critério?

Há, neste momento, muitos gays (de ambos os sexos) a vestirem-se e a tomarem banho nos balneários do sexo pelo qual estão atraídos. Acho isso injusto. Primeiro, porque as cautelas com o pudor e os bons costumes estão ameaçadas e depois porque eu nunca tive a oportunidade de tomar banho num balneário feminino.

Quem devia pedir igualdade são os heterossexuais. Nós é que estamos em desvantagem.

Basicamente o que quero dizer é: se não me querem meter no balneário das mulheres,  porque acham isso incorrecto, tenho pena, mas ao menos tirem-me os gays do meu balneário e tragam para cá as lésbicas que se despem nos balneários femininos por esse país fora.

Pensem nisso!

Quanto ao único balneário em particular que me preocupa, falo, evidentemente, do balneário do Ginásio Clube Português. Em mais nenhum lado vi tanta concentração de homem velho descaradamente nu. É custoso ver estas carcaças atacadas em força pela gravidade, passearem-se orgulhosa e desprendidamente despidas. Nunca percebi porque razão os velhotes fazem questão de fazer a barba completamente nus. 

...é que há aquela ligeira inclinação final para o espelho a ver se o barbear está completo. Totalmente desnecessário.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A tosquia das girafas

Hoje um amigo meu falou-me de uma empresa nova. Esta empresa auto-proclama fazer tudo. Fazem tudo! É só mandar um e-mail com o que queremos que eles enviam de volta outro e-mail com orçamento e prazo.

O site deles (http://fazemostudo.com/) é simplesmente isto:


Depois de ver isto, mesmo mais atarefado que um anão no Natal, decidi mandar-lhes o seguinte e-mail, só a ver no que dava:






"Boa tarde,

Tenho uma girafa em casa e gostaria de saber qual o orçamento e prazo
para me raparem a bicha. Mais informo que tenho um casamento no dia 5
de Outubro lá em casa e queria ter a girafa pronta até essa data, pois
a mesma vai trabalhar no valet.

Fico a aguardar resposta.

Melhores cumprimentos,
  
Lourenço Sousa Machado"

Passado meia hora, obtenho a seguinte resposta:

"Caro Lourenço,

Anexamos o orçamento para o trabalho solicitado.

Melhores cumprimentos


--
fazemos tudotudo
"

E anexam-me o seguinte orçamento (carreguem na imagem para ver melhor):




Em seguida, um dos meus amigos, que estavam no e-mail em bcc, retorque simplesmente:

"Muito profissionais. Mas pelo preço compramos mais uma girafa."

Ao que eles respondem:

"Carissimos senhores,

Nós só apregoamos fazer tudo. Não dizemos que somos baratos.
De qualquer forma verifique se por esse preço consegue uma girafa já devidamente rapada.

Melhores cumprimentos

--
fazemos tudotudo
"

Acabo a rematar a edificante tertúlia com:

"Agradeço o envio do orçamento, mas está um pouco fora do que eu
pensava desembolsar. Provavelmente faço-lhe umas tranças e aquilo
disfarça.

Obrigado pela disponibilidade, no entanto.

Melhores cumprimentos,

Lourenço Sousa Machado
"

Fui buscar lã, mas também saí tosquiado. Ainda bem!


Assim se fazem histórias para contar.



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

João Vítor vai ao Lux

João Vítor abre os olhos de uma vez. Sem norte, sente uma dor de cabeça, a boca seca e o cheiro a tabaco impregne na roupa com que dormiu. Leva as mãos à cabeça e jura nunca mais beber, quanto mais fumar. Chega a jurar mudar de vida. Ao seu lado, de costas para ele, uma pomba que não conhece. Vocifera mentalmente por mais um engate manhoso. Questiona-se como pôde tocar naquela ave, feia, fácil, flácida. Não a acorda. Por ele, dormia eternamente. Levanta-se da cama e arrasta as patas até à cozinha. Abre o friglu: nada! Uma lata de fanta, laranja, deitada e vazia. Na gaveta de baixo, uma cerveja e duas sardinhas. Comestíveis, mas a pedirem substituição. Não lhe apetece comida normal. Tira a cerveja, fecha o friglu e atrás da porta, um maço que lhe tinha escapado. Encolhe os ombros, saca de um cigarro e abre a cerveja. Faz uma pesquisa sem foco na net, lê uns jornais, fecha e abre sites, fuma, bebe. O seu vagueio mental é interrompido por um breve arrulho. A Cláud... , Susan... , a pomb... , ela!, acorda. João Vítor, decidido, e um pinguim de palavra e convicções fortes, acaba a cerveja, dá o último bafo, levanta-se, dirige-se ao quarto, pega nos lençóis e enfia-se na cama outra vez, para uma outra vez.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

My new Aniston

Este desenho que Ele fez e deixou cair do céu,



mais esta atitude de "gaja sem merdas"



fazem-na praticamente imbatível. My new Aniston.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Inevitavelmente

Bem sabemos que há algo no fogo que nos atrai. Algo no proibido e incessante movimento da chama magnetiza o olhar. E com ele a conduta. Prende-nos e guia-nos rumo ao errado. Numa espiral inevitável a ele nos dirigimos, com a consciência do que fazemos, mas com a inércia do que sabemos não poder fazer. E fazemos. Saímos, aprendemos e fazemos. Incessantemente. Como ele. Uma merda de um elemento incorpóreo, mas maior que qualquer massa. Nascemos com a pá, morremos com a pá. Como em tempos disse, pontual e inadvertidamente, um grande amigo meu: 

Pelo prazer de cavar.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Acontece aos melhores. Espero...

Acabei de abrir uma pastilha, deitar a dita no lixo e pôr o papel à boca.

Isto na Idade Média não deveria dar menos do que banho de petróleo e penas.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Num qualquer dia

Hoje vi um pinguim. Ia o mesmo atarefado a correr até ao jardim. "Perlimpim!", diz-me ele. E olhando-me com os olhos impregnes de magnetismo como só uma ave de smoking tem, passa-me a asa atrás da orelha e finge daí retirar uma pequena moeda, como que por magia. Estende a asa e oferece-me, com benevolência, a moeda, que, vim a ver, era de chocolate. Abri a boca de espanto e olhei-o com um ar incrédulo antes de lhe espetar uma biqueirada nos tomates.

Odeio pinguins que me querem fazer passar por parvo.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Summertime

Sexta-feira de bom tempo, seis e vinte e seis da tarde e a excitação de uma criança de dez anos emerge pouco a pouco no meu estômago. Daqui a meia hora estou à janela de um carro, com os meus amigos de sempre, o vento na cara, um bom som e a eterna cerveja. Vou para onde fui mais feliz. Esse sítio, onde fui mais feliz, é precisamente o mesmo sítio onde sei já não poder encontrar essa felicidade que já vai. Mas não a encontro lá e em lado nenhum. É próprio de algumas coisas boas o facto de já não voltarem, de já não poderem voltar. Por isso não estou triste pela felicidade que já não posso ter, mas antes feliz por a ter tido. A felicidade sobre essa felicidade reside agora nas reminiscências desse tempo. E como foi bom esse tempo. E como é parecido, agora, revivê-lo. É por isso que vou, é por isso que continuo a voltar, é por isso que não corto o cordão. É ali, onde fui mais feliz, que sou mais feliz.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

True story

NÃO VÃO ACREDITAR!! ONTEM VI O IMPOSSÍVEL!!!!!

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Nada de extraordinário o filme.

ps: ainda está para vir um filme com a Naomi Watts em que não lhe vejo as mamas.