- Onde é que vais?
- Não sei.
- Vou contigo!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
A tosquia das girafas
Hoje um amigo meu falou-me de uma empresa nova. Esta empresa auto-proclama fazer tudo. Fazem tudo! É só mandar um e-mail com o que queremos que eles enviam de volta outro e-mail com orçamento e prazo.
O site deles (http://fazemostudo.com/) é simplesmente isto:
Depois de ver isto, mesmo mais atarefado que um anão no Natal, decidi mandar-lhes o seguinte e-mail, só a ver no que dava:
"Boa tarde,
Tenho uma girafa em casa e gostaria de saber qual o orçamento e prazo
para me raparem a bicha. Mais informo que tenho um casamento no dia 5
de Outubro lá em casa e queria ter a girafa pronta até essa data, pois
a mesma vai trabalhar no valet.
Fico a aguardar resposta.
Melhores cumprimentos,
Tenho uma girafa em casa e gostaria de saber qual o orçamento e prazo
para me raparem a bicha. Mais informo que tenho um casamento no dia 5
de Outubro lá em casa e queria ter a girafa pronta até essa data, pois
a mesma vai trabalhar no valet.
Fico a aguardar resposta.
Melhores cumprimentos,
Lourenço Sousa Machado"
Passado meia hora, obtenho a seguinte resposta:
"Caro Lourenço,
Anexamos o orçamento para o trabalho solicitado.
Melhores cumprimentos
--
fazemos tudotudo"
Anexamos o orçamento para o trabalho solicitado.
Melhores cumprimentos
--
fazemos tudotudo"
E anexam-me o seguinte orçamento (carreguem na imagem para ver melhor):
Em seguida, um dos meus amigos, que estavam no e-mail em bcc, retorque simplesmente:
"Muito profissionais. Mas pelo preço compramos mais uma girafa."
Ao que eles respondem:
"Carissimos senhores,
Nós só apregoamos fazer tudo. Não dizemos que somos baratos.
De qualquer forma verifique se por esse preço consegue uma girafa já devidamente rapada.
Melhores cumprimentos
--
fazemos tudotudo"
Nós só apregoamos fazer tudo. Não dizemos que somos baratos.
De qualquer forma verifique se por esse preço consegue uma girafa já devidamente rapada.
Melhores cumprimentos
--
fazemos tudotudo"
Acabo a rematar a edificante tertúlia com:
"Agradeço o envio do orçamento, mas está um pouco fora do que eu
pensava desembolsar. Provavelmente faço-lhe umas tranças e aquilo
disfarça.
Obrigado pela disponibilidade, no entanto.
Melhores cumprimentos,
Lourenço Sousa Machado"
pensava desembolsar. Provavelmente faço-lhe umas tranças e aquilo
disfarça.
Obrigado pela disponibilidade, no entanto.
Melhores cumprimentos,
Lourenço Sousa Machado"
Fui buscar lã, mas também saí tosquiado. Ainda bem!
Assim se fazem histórias para contar.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
João Vítor vai ao Lux
João Vítor abre os olhos de uma vez. Sem norte, sente uma dor de cabeça, a boca seca e o cheiro a tabaco impregne na roupa com que dormiu. Leva as mãos à cabeça e jura nunca mais beber, quanto mais fumar. Chega a jurar mudar de vida. Ao seu lado, de costas para ele, uma pomba que não conhece. Vocifera mentalmente por mais um engate manhoso. Questiona-se como pôde tocar naquela ave, feia, fácil, flácida. Não a acorda. Por ele, dormia eternamente. Levanta-se da cama e arrasta as patas até à cozinha. Abre o friglu: nada! Uma lata de fanta, laranja, deitada e vazia. Na gaveta de baixo, uma cerveja e duas sardinhas. Comestíveis, mas a pedirem substituição. Não lhe apetece comida normal. Tira a cerveja, fecha o friglu e atrás da porta, um maço que lhe tinha escapado. Encolhe os ombros, saca de um cigarro e abre a cerveja. Faz uma pesquisa sem foco na net, lê uns jornais, fecha e abre sites, fuma, bebe. O seu vagueio mental é interrompido por um breve arrulho. A Cláud... , Susan... , a pomb... , ela!, acorda. João Vítor, decidido, e um pinguim de palavra e convicções fortes, acaba a cerveja, dá o último bafo, levanta-se, dirige-se ao quarto, pega nos lençóis e enfia-se na cama outra vez, para uma outra vez.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
tyson
O único período da minha vida em que prestei alguma atenção ao boxe foi com Tyson (hoje em dia gosto de saber o que se passa com Manny Pacquiao e o eternamente adiado combate com Floyd Mayweather, mas nunca vi um combate quer de um quer de outro). Não posso dizer que fosse um fanático de Tyson, até porque era bastante novo quando ele foi campeão do mundo, mas lembro-me de acompanhar o trajeto dele com interesse e de ter visto o combate com Hollyfield, que ditou o definitivo declínio de Tyson (o famoso episódio da mordidela de orelha). Sempre foi por isso uma personagem que segui com interesse, não só pelo seu trajeto desportivo, mas também pelos inúmeros episódios da vida privada que foram contribuindo para a tese de que fosse qual fosse o caminho, o destino não seria bonito.
Já não ouvia falar dele há um tempo, até que há uns dias dei com este vídeo em que ele se confessa para uma plateia que estava sentada para assistir à apresentação do seu primeiro combate enquanto promotor e acabou de pé a aplaudi-lo, pelo momento de sinceridade e entrega que tinha acabado de ter. Hoje deparei-me com a entrevista abaixo, feita já na sequência da conferência de imprensa e que fez re-acender a curiosidade que sentia por ele. Parece-me um gajo interessante, que luta com problemas muito sérios do foro psicológico mas que, no fundo, parece-me ser boa pessoa. Ficam os vídeos para quem partilhe do mesmo "fascínio" pela personagm, que este vlogue já teve férias que chegue.
PS: Até parece mal pôr este monstro com tatuagens tribaias na fronha a seguir ao anjo de baixo, mas antes isto que nada.
Já não ouvia falar dele há um tempo, até que há uns dias dei com este vídeo em que ele se confessa para uma plateia que estava sentada para assistir à apresentação do seu primeiro combate enquanto promotor e acabou de pé a aplaudi-lo, pelo momento de sinceridade e entrega que tinha acabado de ter. Hoje deparei-me com a entrevista abaixo, feita já na sequência da conferência de imprensa e que fez re-acender a curiosidade que sentia por ele. Parece-me um gajo interessante, que luta com problemas muito sérios do foro psicológico mas que, no fundo, parece-me ser boa pessoa. Ficam os vídeos para quem partilhe do mesmo "fascínio" pela personagm, que este vlogue já teve férias que chegue.
PS: Até parece mal pôr este monstro com tatuagens tribaias na fronha a seguir ao anjo de baixo, mas antes isto que nada.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
My new Aniston
Este desenho que Ele fez e deixou cair do céu,
mais esta atitude de "gaja sem merdas"
fazem-na praticamente imbatível. My new Aniston.
mais esta atitude de "gaja sem merdas"
fazem-na praticamente imbatível. My new Aniston.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
No other way
A dívida externa não se paga. Disse, talvez por outras palavras, o filho da puta - que é normalmente apelidado, porventura quando há senhoras de respeito em redor, por Sócrates.
Concordo, a dívida é impossível de pagar. Pensei, então, para mim, enquanto roçava meu amaciado turco por espalda acabada de banhar, “Se não vamos pagar, mais vale sair do euro, cagar nestes gajos e cá nos governamos entre nós, no mercado interno.”. Logo pensei que isto não é possível num país que não seja auto-suficiente (ou que seja dependente), como é o nosso caso. E não digo isto porque ache que nenhum país dependente possa ter as contas em dia. Isso é possível. Esquecendo a dívida e partindo do zero, se eu tenho milho e preciso de gasolina e azeite, basta-me, para ter as contas certinhas, produzir milho suficiente para que a exportação deste pague a importação daqueles. Puerilmente explicado, é isto que se passa.
No entanto, o nosso caso é diferente. Nós somos dependentes e não temos as contas em dia. Quer isto dizer que se um dia disséssemos simplesmente “Não pagamos!” (como certos rénios já o propuseram) e voltássemos ao nosso escudinho, basicamente estávamos fodidos. A palavra é esta: fodidos. Não porque a dívida aumentaria para níveis perto do dobro (porque a nossa moeda não valeria nada), pois a partir do momento em que a intenção é não pagar, tanto faz se a dívida é 10 ou 20. O que aconteceria, pensando em termos práticos, era muito simples:
“Ai os Tugas não pagam? Ai é?! Ok, muito me contam.” – diz a Dona Germânia.
E levantando-se da mesa, bate repetidamente com a colher no copo e diz o seguinte:
“- Malta fixe!! Peço atenção!! Oi, atenção!!! Gália foda-se, estou a tentar falar!!!!
- Peço desculpa chefe, é que a Romana e a Britânia estão a dizer que eu cheiro mal.
- Já te expliquei que perfume não é sabão, Gália. Depois admiras-te. Enfim, adiante!
- A partir de hoje ninguém faz turismo em Portugal! Ninguém lhes vende os nossos produtos, nem ninguém lhes presta qualquer tipo de serviço. Escusado será dizer que ninguém lhes compra nada. Quer dizer, até podem comprar, desde que não paguem.”
E cá ficaríamos nós, abandonados à cortiça e aos sapatos, acumulando stocks de rolhas e solas até o último fechar a porta.
Concordo, a dívida é impossível de pagar. Pensei, então, para mim, enquanto roçava meu amaciado turco por espalda acabada de banhar, “Se não vamos pagar, mais vale sair do euro, cagar nestes gajos e cá nos governamos entre nós, no mercado interno.”. Logo pensei que isto não é possível num país que não seja auto-suficiente (ou que seja dependente), como é o nosso caso. E não digo isto porque ache que nenhum país dependente possa ter as contas em dia. Isso é possível. Esquecendo a dívida e partindo do zero, se eu tenho milho e preciso de gasolina e azeite, basta-me, para ter as contas certinhas, produzir milho suficiente para que a exportação deste pague a importação daqueles. Puerilmente explicado, é isto que se passa.
No entanto, o nosso caso é diferente. Nós somos dependentes e não temos as contas em dia. Quer isto dizer que se um dia disséssemos simplesmente “Não pagamos!” (como certos rénios já o propuseram) e voltássemos ao nosso escudinho, basicamente estávamos fodidos. A palavra é esta: fodidos. Não porque a dívida aumentaria para níveis perto do dobro (porque a nossa moeda não valeria nada), pois a partir do momento em que a intenção é não pagar, tanto faz se a dívida é 10 ou 20. O que aconteceria, pensando em termos práticos, era muito simples:
“Ai os Tugas não pagam? Ai é?! Ok, muito me contam.” – diz a Dona Germânia.
E levantando-se da mesa, bate repetidamente com a colher no copo e diz o seguinte:
“- Malta fixe!! Peço atenção!! Oi, atenção!!! Gália foda-se, estou a tentar falar!!!!
- Peço desculpa chefe, é que a Romana e a Britânia estão a dizer que eu cheiro mal.
- Já te expliquei que perfume não é sabão, Gália. Depois admiras-te. Enfim, adiante!
- A partir de hoje ninguém faz turismo em Portugal! Ninguém lhes vende os nossos produtos, nem ninguém lhes presta qualquer tipo de serviço. Escusado será dizer que ninguém lhes compra nada. Quer dizer, até podem comprar, desde que não paguem.”
E cá ficaríamos nós, abandonados à cortiça e aos sapatos, acumulando stocks de rolhas e solas até o último fechar a porta.
E isto numa versão bem soft, da história.
Ou seja, não há outra saída que não a de pagar o que devemos. Mesmo que não se pague o capital, pois todos sabemos que é impossível, pagam-se os juros. E com isto ainda há dinheiro e economia. No entanto, (i) se a única solução é pagarmos, porque precisamos dos credores, e (ii) se para nos endireitarmos, de maneira a poder pagar, precisamos de mais dinheiro emprestado, então (iii) resta-nos sujeitarmo-nos às regras de quem nos empresta dinheiro. E essas regras, como já vimos, vão no sentido da austeridade. Neste momento não temos autonomia. Temos directivas para cumprir e muito pouco poder discricionário para as atingir. O caminho que nos dão é muito estreito e não permite grandes passos para o lado.
As palavras de um amigo meu, no seguimento das demissões de Gaspar e Portas, resumem bem o que quero dizer:
“O mercado ontem disse que sem austeridade, com desgoverno e abandono do caminho que levamos, num só dia tornamo-nos infinanciáveis, os nossos bancos tornam-se ingeríveis e o Estado ingovernável.”.
Não é uma questão de ser de direita, de centro ou de esquerda, é uma questão de ser realista. Sem o que temos vindo a fazer é isto que acontece: o caos! Ponto final.
Ou seja, não há outra saída que não a de pagar o que devemos. Mesmo que não se pague o capital, pois todos sabemos que é impossível, pagam-se os juros. E com isto ainda há dinheiro e economia. No entanto, (i) se a única solução é pagarmos, porque precisamos dos credores, e (ii) se para nos endireitarmos, de maneira a poder pagar, precisamos de mais dinheiro emprestado, então (iii) resta-nos sujeitarmo-nos às regras de quem nos empresta dinheiro. E essas regras, como já vimos, vão no sentido da austeridade. Neste momento não temos autonomia. Temos directivas para cumprir e muito pouco poder discricionário para as atingir. O caminho que nos dão é muito estreito e não permite grandes passos para o lado.
As palavras de um amigo meu, no seguimento das demissões de Gaspar e Portas, resumem bem o que quero dizer:
“O mercado ontem disse que sem austeridade, com desgoverno e abandono do caminho que levamos, num só dia tornamo-nos infinanciáveis, os nossos bancos tornam-se ingeríveis e o Estado ingovernável.”.
Não é uma questão de ser de direita, de centro ou de esquerda, é uma questão de ser realista. Sem o que temos vindo a fazer é isto que acontece: o caos! Ponto final.
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